No meio do ambiente de festa que se fez sentir à sua volta, ambiente de festa esse que não mostrava quaisquer sinais de abrandar, muito pelo contrário, Shruikan deu por si a aproveitar a situação para se apoderar dos pertences dos transeuntes que entretanto paravam as suas marchas, ora para observar ou para se juntarem à dança e aos cânticos que subitamente surgiram na beira daquela estrada. Conseguindo fazer isso mesmo e vendo claramente que o grupo de músicos ali ficaria, Shruikan agradeceu os cuidados que lhe foram prestados e retomou o seu caminho, deixando a música entoar atrás de si.

O caminho ainda era longo e a curiosidade de avaliar a totalidade do seu saque estava sempre presente. Assim que ganhou distância suficiente, ao ponto de a música não passar de um eco distante, Shruikan saiu uma vez mais da estrada e, procurando um sítio mais ou menos discreto, escondeu-se e procedeu à contagem da avultada quantia de que se apoderou. Satisfeito, retomou a sua marcha.

Chegou a Shivar já de noite e tratando de arranjar quarto e uma refeição quente numa das estalagens locais, tratou de se informar sobre potenciais embarcações com destino a Sureixia, cruzando-se com um dos responsáveis pelo porto que prontamente lhe disse que uma embarcação chegaria no dia seguinte.

Após descansar, na companhia de estranhas figuras e ecos que lhe preenchiam a mente, Shruikan tratou de se encontrar novamente com o responsável, adiantando já o pagamento da passagem. A embarcação chegaria ao fim do dia, e só então, depois de falar com o capitão, se saberia se partiria imediatamente ou se reabasteceria e retomava às águas no dia seguinte. Depois de aguardar o tempo necessário no seu quarto alugado, Shruikan regressou ao porto, encontrando-se com o responsável e com a capitã do navio em questão. Face à falta de urgência, o navio soltaria âncora no dia seguinte.

Depois de uma noite em toda semelhante à anterior, Shruikan tratou de voltar ao porto de manhã cedo, encontrando capitã e tripulação a carregar o navio. Com tudo pronto, com alguma ajuda de Shruikan, o navio levantou âncora.

Pela primeira vez em muito tempo, Shruikan sentia-se a progredir na sua jornada.

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