Perante o caos à sua frente e o seu estado debilitado, Shruikan via as suas alternativas cada vez mais escassas.

Procurando a vida selvagem local, conseguiu liquidar alguns animais de pequeno porte e através deles, recuperar alguma da sua energia. De volta à caixa, viu-se obrigado a arrombá-la, pois não só não parecia ceder como se mostrava imune a qualquer dano mágico. Com toda a sua força, conseguiu abri-la, sendo imediatamente assolado por uma nuvem negra de energia necrótica que rapidamente se infiltrou nas suas vias respiratórias. Felizmente para ele, apesar do dano, continuava vivo.

O Olho, uma pequena massa de carne putrefacta, estava no seu interior, olhando-o compenetradamente.

Elevando a Mão de Vecna até ao seu olho direito, procurou acalmar os seus nervos e a sua respiração acelerada. Inspirando fundo, tomou o globo ocular e, com a ajuda de um punhal, cortou o nervo óptico.

Uma dor indescritível tomou o seu corpo ao mesmo tempo que um estridente grito ecoou por toda a floresta. Sangue escorria pela sua face e da sua face para o chão. Resistindo ao choque, tomou o Olho de Vecna e com ele preencheu a órbita que agora estava vazia. Sentiu o nervo a reformar-se e aos poucos foi recuperando a visão. Enquanto isto, era-lhe possível sentir as propriedades do Olho a tomarem lugar.

Com o seu derradeiro objectivo cumprido, restava-lhe agora lidar com o que quer que seja que se estava a passar no interior do templo.

Subindo os degraus cobertos por várias partes de mortos-vivos em diferentes estados de decomposição, escondeu-se detrás das paredes de pedra onde outrora as portas da entrada estavam fixas, e olhou para o interior. Todo o templo estava coberto de chamas e estava claro que, a qualquer momento, podia desmoronar-se ainda mais. O corpo de Aihim estava a um canto, imóvel. Navina parecia estar a debater-se com um homem, também ele um tiefling, que empunhava um cajado que muito se assemelharia a um ramo arrancado de uma árvore há muito morta, não fosse o crânio de um qualquer demónio esculpido no seu topo.

Shruikan avançou na sua direcção, sendo rapidamente confrontando pelo homem, sem antes abrir uma coluna de fogo sobre Navina, do qual ela tudo fez para conseguir escapar. Reconheceu Shruikan como sendo um seguidor de Asmodeus, tornou-se invisível, esboçando um sorriso. Infelizmente para ele, graças ao Olho de Vecna, Shruikan conseguia vê-lo.

Aquilo que poderia muito bem ser um colossal confronto acabou por não o ser face ao imenso poder da Mão e do Olho. Graças a eles, Shruikan conseguiu estupidificar o homem, impossibilitando-o de lançar qualquer forma de feitiços, a sua especialidade. De seguida, e graças ao poder da Mão, conseguiu desintegrá-lo, deixando no seu lugar viscosos restos mortais.

No rescaldo de tudo isto, Navina confessou que se tratava do seu irmão, e mais não quis revelar por tudo estar demasiado fresco. Falaram sobre as aventuras de Shruikan, os problemas com a guilda, com os seguidores de Bahamut e com a Rainha dos Corvos, ao que Navina, apesar do seu ar incrédulo mostrou confiança nas novas habilidades de Shruikan.

Deixando claro que se encontrariam novamente, Shruikan partiu, acampando ali perto, num sítio onde as marcas familiares de duas tendas ainda eram visíveis.

Face ao seu cansaço físico e mental, nada parecia interferir com o seu descanso.

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Categories Tales of Dosluvi
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