Shruikan acordou pronto para enfrentar o que quer que seja que lhe fosse apresentado naquele dia. Observando a aldeia de Yellowseed, constatou que estava tudo normal. Ocasionalmente, levantava-se para esticar as pernas e, ora caminhando, ora reflectindo, ora observando, aguardou.

As sombras diminuíam na paisagem de Xutresh à medida que o Sol subia e fazia chegar o seu calor através do céu parcialmente nublado. Ao início da tarde, sentiu a terra a tremer. Momentos após a sessação de tamanho fenómeno, Dreis surgiu, na companhia do Comandante Alder e dos membros da Ordem de Bahamut que tinham tratado da sua detenção e julgamento.

Cercaram-no e, depois de recorrerem ao uso de duas Zones of Truth, disponibilizaram-se a conversar perante a atitude de redenção que Shruikan apresentava. Ele, aceitando o efeito dos feitiços, manteve todo o seu argumento de mudança de ser e de estar após o seu encontro com a Rainha dos Corvos, disponibilizando-se a devolver a vida a todos aqueles que morreram às suas mãos. Apesar de tudo, e apesar da sua clara demonstração de culpa, tal não apagaria a prática dos seus crimes. Face a isto, foram-lhe dadas duas escolhas, aceitar a sentença que lhe tinha sido previamente aplicada, ou aceitar a remoção dos artefactos e passar alguns anos em Silverkeep sob vigilância atenta e cuidada. Shruikan sugeriu uma terceira, recorrer aos poderes dos artefactos para refazer tudo. Foi então que lhe foi feita uma revelação. Recorrendo a um espelho, mostraram-lhe o seu reflexo, onde era claro que a influência de Vecna se fazia sentir no seu corpo, tomando-o lentamente. Inquirindo-o sobre os seus próprios sonhos, a turbulência dos mesmos apenas veio a fundamentar tudo isto. Tinha um mês no máximo.

Pedindo alguns minutos para reflectir, Shruikan assim o fez, com Asmodeus a provocá-lo para fazer uma escolha. Aceitou a remoção dos artefactos, mas assim que se preparavam para o fazer, empurrou quem se aproximava e correu até ao fim da montanha, resistindo a todas as formas de imobilização que lhe eram lançadas. Lançou-se da montanha e teletransportou-se, mas não sem ser apanhado por uma gigante árvore.

Os dois apareceram diante do templo de Navina Sina, e um breve combate teve lugar, culminando na queda da árvore animada.

Avançando na direcção do templo à procura de respostas, Shruikan não viu ninguém. Chamou o nome de Navina e aguardou. Ao cimo das escadas que levavam ao altar, ao fundo, no lado esquerdo, uma porta abriu-se e de lá saiu Kairon, o irmão de Navina que Shruikan tinha morto. Os olhares de ambos cruzaram-se.

Seria possível?

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Categories Tales of Dosluvi
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