Com Kairon, o irmão de Navina Sina, a olhar para ele do topo das escadas junto do estranho altar, Shruikan observou enquanto ele se afastava para dar lugar a Aihim e, logo de seguida, à própria Navina. Os três avançaram lentamente, parando no topo das escadas.

Shruikan foi directo ao assunto e pediu justificações a Navina por aquilo que lhe estava a acontecer, por Vecna o estar a consumir lentamente. Sorrindo, ela respondeu dizendo que lhe tinha dito isso mesmo, que era só uma questão de tempo até que Vecna voltasse e que tal iria acontecer através dele. Para além do mais, tudo isto era o que Shruikan sempre quisera, enorme poder. Todos cometem sacrifícios nas suas vidas, e ele tinha o privilégio de se sacrificar por algo maior. Uma vez mais, Shruikan não passava de um mero peão no jogo de alguém.

Murmurando a Asmodeus, perguntou-lhe se estaria interessado em três almas, ao que ele anuiu. Shruikan avançou, tocando Navina com a Mão de Vecna, procurando incutir-lhe a sua essência, mas sem efeito. Navina manteve o seu sorriso

Um rápido confronto teve lugar, um que deixou Shruikan moribundo e a baixar as suas armas. Virando costas, abandonou o templo sem antes professar a Navina o quanto a odiava, ao que ela respondeu que ele seria sempre bem-vindo ali.

Sentindo-se revoltado, usado e imerso num profundo ódio, Shruikan abandonou a clareira do templo, passando para os pântanos, já debaixo do colorido pôr-do-Sol.

Parando para descansar, Shruikan preparou o seu acampamento e dormiu, sem antes ouvir Asmodeus a lembrá-lo que as três almas que lhe foram prometidas ainda não lhe tinham sido entregues.

Acordando, coberto de suores frios, Shruikan teve uma ideia, uma que poderia fazer tudo a diferença. Passou o resto do dia a caçar a fauna local, colhendo a sua essência, e quando se sentiu satisfeito, regressou ao templo.

Subindo as escadas, assolado pelo cheiro putrefacto dos vários mortos-vivos em diferentes estados de decomposição, encostou-se à parede e olhou para o interior do templo. Kairon não estava à vista, mas Navina e Aihim estavam à volta do altar, possivelmente a limpá-lo. Focando-se em Navina, procurou tomar controlo dela, mas o Olho parecia não conseguir encontrar um alvo. A voz de Navina ecoou ao mesmo tempo que as duas se viravam na sua direcção.

Perguntou-lhe o que o trazia ali, se queria acabar o que começaram no dia anterior. Shruikan respondeu, lançando dois projécteis na sua direcção e após o impacto, as duas desapareceram. A voz de Navina ecoou novamente, suspirando uma certa desilusão de que se calhar ela tinha escolhido a pessoa errada, ao mesmo tempo que ela, Aihim e Kairon surgiam da mesma porta do topo das escadas e que os mortos-vivos que primeiro estavam estendidos pelas escadas começavam a levantar-se e a arrastar-se lentamente até à entrada.

O combate começou, com ambas as partes preocupadas somente na destruição da outra. Felizmente para Shruikan, que chegou a ver-se em apuros, os mortos-vivos e as propriedades da Mão e do Olho conseguiram mantê-lo vivo.

Vendo as suas energias arcanas exaustas, recorreu ao toque da Mão de Vecna para desintegrar Aihim e Kairon, o que levou a algo pelo qual ele estava longe de esperar. Navina deu um passo em frente e encorajou-o a fazer-lhe o mesmo, sempre com um sorriso nos lábios. Shruikan tentou repeli-la com projécteis mas sem sucesso. Por cada passo atrás que ele desse, ela rapidamente dava um na sua direcção.

Recuando até uma das saídas na forma de uma parede colapsada, agarrou-a com a Mão, mas não lhe fez passar a sua essência. Assim que lhe tocou, Navina agarrou-lhe a Mão e manteve-o preso.

Shruikan empurrou-a a custo, atirando-a contra o altar de pedra negra.

Erguendo-se, tomou o sangue das suas feridas e fê-lo brotar sobre a pedra fria do altar. Contudo, assim que as gotas escarlates incidiam na sua superfície, a pedra sólida parecia um lago a ondular com o toque de cada uma.

Navina sorriu na sua direcção e confessou que estava ao mesmo tempo desiludida e orgulhosa. Desiludida por ele não ter feito o que era suposto e orgulhosa por ele estar cada vez mais próximo de cumprir o seu propósito. Enquanto isto acontecia, uma massa estranhamente familiar de um cinzento pálido esverdeado começava a emergir do altar, tomando o braço de Navina e puxando-a na sua direcção.

Apelando a Asmodeus, Shruikan lançou sobre ela um Finger of Death, mas sem sucesso. Aquela substância tomou o feitiço por ela, e numa questão de segundos, ela tinha desaparecido no altar.

Aproximando-se, e sem lhe tocar, pôde constatar que era rocha sólida. Tomando notas das runas que o cobriam, abandonou o templo, com muito em que pensar.

Acampando no mesmo sítio da noite anterior, adormeceu. As formas distorcidas e vozes indistintas surgiram uma vez mais, com Asmodeus a aparecer no seu meio, profundamente desiludido com a incompetência e insolência perante o cumprimento da promessa que lhe tinha sido feita. Deixou claro que tinha que a levar até ao fim e que juros iriam ser pagos.

É verdade quando dizem que um mal nunca vem só?

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Categories Tales of Dosluvi
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