Com o despertar de um novo dia, Shruikan deu por a si a recuar novamente até ao templo. Tudo estava conforme ele tinha deixado. As poças de massa orgânica que outrora assumiam a forma de Aihim e de Kairon continuavam lá, tal como o bastão do último. Tomando-o e examinando-o, deduziu que não era mais que um auxílio à canalização de energia arcana. Aproximando-se do altar, ele continuava como sempre, um total mistério. Ele sabia que decifrar as runas que o cobriam era a chave para decifrar o seu verdadeiro propósito.

Aventurando-se pela porta à sua esquerda, deparou-se com um corredor que levava a dois pequenos e modestos quartos, equipados apenas com a mais simples e funcional mobília. Contudo, o primeiro tinha algo mais. A parede na dianteira mostrava ser mais que isso. Ao toque podia parecer uma parede sólida vulgar, mas era claro, principalmente através do Olho de Vecna, que magia fazia parte da sua composição.

Recuando, procurou destruí-la, mas apesar de reagir ao impacto dos vários projécteis, desfazendo-se mediante os pontos de contacto, para além de se reconstruir lentamente, parecia que a sua espessura aumentava após cada impacto mais significativo. Procurando contornar este obstáculo, abandonou o templo e contornou-o até se ver diante da parede que coincidia com aquela mesma divisão. Estudando-a, era clara a ausência de qualquer feitiço ou encantamento, e, como tal, foi só uma questão de tempo até que ela desabasse, exibindo aquele mesmo quarto. Shruikan avançou pelos escombros, e assim que se virou, apercebeu-se que a parede continuava lá. O seu encantamento claramente visível e inalterado. Sem ideias, Shruikan saiu uma vez mais do templo, e seguiu viagem até Butterpond.

A travessia tomou-lhe dois dias e mostrou-se toda ela calma, sem qualquer tipo de perturbações. Não tardou a ver as muralhas da vila e antes delas, uma familiar paliçada patrulhada por familiares guardas. Aqueles que ele tinha salvo da tribo de orcs estavam bem de saúde, e todos se mostraram preocupados com a actual situação de Shruikan, pois a corrupção do Olho e da Mão eram visíveis. Alegando que tudo mais não era que o resultado de acidentes provocados por experiências com magia, e algo que procuraria ver resolvido na vila, aproveitou para os inquirir sobre possíveis avistamentos de uma tiefling. Apesar de surpresos por tamanha pergunta, limitaram-se a negar qualquer contacto com qualquer tipo de criatura que se enquadrasse na descrição.

Despedindo-se, Shruikan entrou na vila e avançou até à casa de Amadeus Sinus. Batendo à porta, foi recebido pelo mesmo, que prontamente o convidou a sentar-se e a partilhar a sua história. Shruikan assim o fez e Amadeus reconheceu o carácter matreiro de Navina e o quão claro é ela ter sempre um trunfo na manga. Perante a descrição daquela estranha parede, Amadeus pareceu reconhecer o que era e ofereceu-se para o tentar ajudar, contudo, desconhecia o que o altar era – para além de um local de repouso para sacrifícios – e deixou claro que não lhe seria possível acompanhá-lo, tanto por causa da ténue relação de parceiros de negócios que ele e Navina mantinham, como também face aos seus projectos pessoais que se encontravam num ponto onde a sua presença era absolutamente necessária. Preparando um pergaminho com um encantamento capaz de cancelar qualquer forma de magia, entregou-o a Shruikan, que prontamente se teletransportou para as imediações do templo.

Tudo parecia normal, à excepção das poças de matéria orgânica que já lá não estavam. Avançando até ao quarto, viu que estava conforme o tinha deixado. Desenrolando o pergaminho, e lendo-o, observou a parede a quebrar-se até que se desintegrou, não deixando quaisquer indícios de que alguma vez ali tenha estado.

Diante dele abriu-se uma modesta sala. Do cimo de um pequeno lance de escadas, estavam dezenas de estantes empilhadas em cima umas das outras, perdendo-se no tecto que não tinha um fim claro à vista. Todas elas repletas com centenas de livros e de pergaminhos. Vários bancos e mesas estavam à sua volta, e ao centro, diante de um pequeno púlpito, a folhear um livro, estava Navina.

Os dois falaram, e Navina mostrou-se conhecedora do passado de Shruikan, falando-lhe de Elizabeth e do quanto ela estava preocupada com o caminho que ele escolhera, não mais sendo aquele que amara e aquele pelo qual morrera. O confronto não tardou depois disso, um confronto onde todos se viram a gastar algumas das suas melhores armas. Contudo, e infelizmente para Shruikan, Navina parecia ser imune à influência dos artefactos de Vecna. Exausto, Shruikan deu por si a cair em combate depois de um Chill Touch. Sentiu-se a congelar enquanto as forças lhe eram tiradas, e antes de perder a consciência, sentiu Navina a segurar o seu rosto e a dizer-lhe que tinham muito trabalho pela frente.

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Categories Tales of Dosluvi
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