A viagem até Butterpond prometia ser longa, perfazendo um total de cinco dias de viagem a trote moderado, havendo uma escala em Pavv ao fim do segundo dia para levantamento do estado de operações.

Shruikan não pôde deixar de inquirir Lia sobre o que se estava a passar em Pavv, ao que ela respondeu que não se tratava de nada de mais.

O primeiro troço do percurso decorreu sem problemas, à excepção de um homem idoso que pedia ajuda para remover uma árvore que lhe bloqueava o caminho. Shruikan não tardou a tomar a situação como suspeita, mas nada o confirmou. Ajudaram o homem sem problemas e continuaram o seu caminho.

Pararam mais à frente para pernoitar. Começaram os turnos e Shruikan começou o seu de forma abrupta, acordando com a tenda caída em cima dele. Cortesia de Tholok. Dominic também se juntou à ronda, parecendo que estava a dormir em pé.

Nada lhes chamou à atenção, à excepção do palrar de um corvo algures a uns metros do acampamento.

Com o intuito de se encontrar com a ave, suspeitando de quem realmente fosse, perguntou aos guardas se se podia afastar por momentos, e um deles não hesitou em acompanhá-lo.

Não tardaram a encontrar o corvo, pousado no topo de uma árvore. Ele desceu assim que Shruikan lhe levantou a mão e desta vez não o picou quando se aproximou para o acariciar. Shruikan despediu-se dizendo que falaria com ele em breve.

Regressando ao acampamento e dando lugar a outro grupo, descansaram.

O novo dia começou com um pequeno-almoço à lareira. Uma mistela cinzenta preparada por Tholok. Shruikan sugeriu dar uma oportunidade aos cozinhados de Dominic e Tholok, sentindo-se desafiado, concordou. Foi preciso ameaçar Dominic para que ele acordasse do seu sono, mas a qualidade do prato preparado foi mais que suficiente para garantir de que a partir daquele momento ele seria o responsável pelas refeições.

Seguiram viagem, e desta vez Lia teve a oportunidade de conhecer a história trágica de Shruikan, algo que ele não teve quaisquer problemas em partilhar, embora enfatizasse certos aspectos para cair nas suas boas graças.

Chegaram a Pavv ao fim do dia. Shruikan perguntou se ele e Dominic podiam fazer uma rápida visita a um amigo, e tal foi-lhes consentido, na companhia de três guardas. Avançaram até ao Ministrel e, para sua grande surpresa, segundo uma placa pendurada na porta da entrada, estava encerrado para obras. Deixaram uma nota debaixo da porta alusiva à sua estadia na vila e regressaram.

Procurando por Sinia, Shruikan tratou de lhe pedir desculpas por a ter esfaqueado no passado. Ela não se mostrou propensa a aceitar tal pedido, mostrando abrir uma excepção somente caso ele não voltasse a repetir algo do género contra quem quer que fosse.

Sentiu um certo alívio na consciência, e também que o grupo, pelo menos, o tolerava. Contudo, enquanto se preparava para descansar, não podia deixar de se sentir em território inimigo.

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Categories Tales of Dosluvi
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