A manhã prometia ser tranquila. Shruikan acordou sem sobressaltos e viu os membros da Ordem de Bahamut a começar a preparar as coisas para a viagem que tinham diante de si.

Tratou de acordar Dominic, uma vez mais recorrendo a ameaças num tom mais jocoso, o que não só se mostrou eficaz, acordando-o de imediato, como também levou a que ele mostrasse o seu desagrado por novamente ser tratado como o bobo da corte.

Saindo da tenda de Dominic e aproximando-se da carruagem, reparou que a escolta segredava entre si. Tentando aparentar que estava somente a arrumar as suas coisas, Shruikan procurou ouvir o que diziam. Tholok ordenava aos restantes para se manterem atentos e para intervirem assim que surgisse alguma forma de comoção. Lia silenciou-o, dizendo para ter cuidado com o que dizia, pois podiam estar a ser ouvidos, e com isto olhou para Shruikan, que lhe devolveu um ar inocente.

Depois de ver a sua bagagem assegurada, sentiu algo a mexer-lhe no bolso. Deitando-lhe a mão, sentiu a textura de pergaminho, e tirando-o, viu uma nota que dizia “Eu estou a ver-te”. Olhando em volta, a única coisa que lhe saltava à vista era uma figura de pequena estatura que parecia distanciar-se dele em direcção de uma das vias principais.

Antes que pudesse fazer alguma coisa, ouviu a voz de Dominic a perguntar-lhe o que é que estava a ler. Foram abordados pelos membros da Ordem para se prepararem para partir.

Levando as mãos à barriga, Shruikan tratou de fingir que se estava a sentir mal, e apesar de parecer surtir efeito, causando desconforto nos guardas que tratariam de o acompanhar, uma nova distracção mais eficaz surgiu, na forma de uma mulher com a qual Shruikan já se tinha cruzado em Pavv e que avançava furiosamente na direcção de Dominic.

Aproveitando tamanho espectáculo, Shruikan perdeu-se na multidão, seguindo a figura que prontamente lhe mostrou o caminho assim que se apercebeu da sua presença.

Deu por si num beco deserto onde uma única porta se abriu.

Shruikan entrou, sendo imediatamente deixado às escuras com o fechar da porta atrás de si.

Ao centro da sala, atrás de uma mesa nua onde uma única vela ardia, estava Dyrk Mallory, com uma expressão tudo menos amigável.

Os dois falaram, com Dyrk a enfatizar a desgraça que Shruikan tinha sido para a sua organização. A situação do casamento continuava por resolver, o que levou Dyrk a procurar alternativas; Shruikan tinha claramente perdido os itens que seriam uma mais-valia no cumprimento desse mesmo objectivo, e arruinara o bom funcionamento da organização em Pavv através da presença em peso da Ordem de Bahamut.

Tudo parecia estar conta Shruikan, que assegurava tratar-se tudo de uma situação passageira, perante o total descrédito de Dyrk.

Mostrou a pulseira que trazia consigo, deixando claro que não estava propriamente livre para terminar aquilo a que se tinha comprometido. Assim que o fez, a pulseira começou a vibrar tenuemente e a reluzir em tons de um azul prateado. Perante isto, Dyrk ordenou-lhe que saísse imediatamente, algo que Shruikan fez logo após a vela se apagar e a porta se abrir.

Regressando, e procurando manter a sua falsa má disposição, Shruikan deparou-se com uma pequena comoção onde uns guardas vasculhavam por entre a multidão, outros pareciam estar em redor de um Dominic caído e Lia e Tholok conversavam.

Aproximando-se deles, Shruikan desculpou a sua retirada urgente. Lia pediu-lhe que deixasse as mentiras, alegando que tinham ouvido tudo. Os dois retiraram-se, dizendo a Shruikan para se preparar para partir e deixando-o com o coração nas mãos.

Junto de Dominic, Shruikan viu que ele estava bastante mal tratado, com as mãos sobre as virilhas e incapaz de se levantar. Curas tinham-lhe sido administradas, mas ele pedia gelo. Shruikan conseguia obtê-lo, mas na forma de um dos seus feitiços ofensivos. Dominic não levantou objecções e insistiu. Shruikan assim fez. Um feixe gelado saiu das suas mãos e embateu no alvo desejado, deixando Dominic sem pingo de sangue ao mesmo tempo que tentava manter-se quente.

Shruikan tentou levantá-lo de seguida, mas perante o seu insucesso, Tholok viu-se obrigado a intervir, esforçando-se ao máximo para não se rir enquanto pegava em Dominic só com uma mão e o atirava para o interior da carruagem.

Shruikan juntou-se e não tardaram a começar a viagem. Uma vez mais, tinha muito em que ponderar.

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Categories Tales of Dosluvi
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