A viagem até Butterpond decorreu sem problemas. Os três dias que faltavam passaram tranquilamente, permitindo até que Shruikan, durante a pausa para uma refeição, falasse a sós com Lia, sob a premissa de que tinha algo importante a comunicar a Ander. Intrigada, e com a aprovação de Tholok, ela aceitou.

Shruikan procedeu a terminar a sua história, explicando o porquê do seu acordo com a guilda de ladrões e contando como é que obteve a Mãe e o Olho de Vecna, revelando inclusive a identidade do infiltrado na Ordem de Bahamut que os ajudou, Rayard Hawk. De seguida, debateram as suas ideias, as suas formas de pensar, e Shruikan não conseguiu deixar de mostrar o seu desagrado e até mesmo a sua desilusão quando viu que Lia tinha a justiça na sua forma absoluta como o verdadeiro ideal a seguir.

Chegados a Butterpond, e após encontrarem um lugar temporário para deixar as suas montadas, Shruikan, Dominic, Lia e Tholok dirigiram-se até à morada de Amadeus Sinus.

Batendo à porta, viram-se rapidamente atendidos pelo discretamente excêntrico e requintado homem cuja face e cabelo o faziam parecer um leão. Mostrou-se surpreso pela visita, mas, ainda assim, não levantou quaisquer problemas, deixando-os entrar e oferecendo um lugar à sua mesa.

Sentados, falaram sobre aquilo que Shruikan tinha dito à Ordem de Bahamu, sobre o envolvimento de Amadeus com Navina, que tinha sido condenada à morte por práticas impensáveis e obtenção de artefactos proibidos. Amadeus confirmou que comunicava com Navina, mas que a relação que mantinham era estritamente profissional, pelo que, nas mensagens que trocavam, limitavam-se a debater ideias e opiniões. Passando para a relação que ele mantinha com Shruikan, Amadeus também confirmou que o tinha contratado para a recuperação de um artefacto mágico que, por sua vez, acabava, à partida, por tipificar os requisitos de um artefacto proibido. Amadeus assegurou que o mesmo estava protegido e que ao contrário da Mãe e do Olho, ninguém o iria conseguir retirar da sua posse. Para além disto, ele, como simples coleccionador de artefactos mágicos singulares, não tinha qualquer interesse em usá-lo para qualquer fim que não esse. Depois disto, Amadeus acrescentou que se quisessem fazer uma busca à sua casa, podiam fazê-lo sem problema algum desde de que se fizessem acompanhar da respectiva autorização legal.

Antes de saírem, Shruikan perguntou-lhe o que era aquele artefacto ao certo, e sob o olhar atento e num misto de raiva e de frustração de Lia e de Tholok, Amadeus disse que era um Fragmento de Alandhur, o Exilado. Um demónio que viu as suas ambições de controlo absoluto a conceder-lhe esse tratamento, ser fragmentado e separado para que os seus planos nunca ganhassem forma.

Sem mais questões em cima da mesa, o grupo saiu. Shruikan ainda pediu desculpa a Amadeus pelos problemas causados ao que este disse que não havia problema algum, professando apenas que era uma pena ele já não ter a Mão e o Olho, e ao mesmo tempo óptimo vê-lo de boa saúde.

Com a porta fechada atrás deles, restava-lhes agora decidir sobre o que fazer a seguir.

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Categories Tales of Dosluvi
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