Diante da moradia de Amadeus e perante o impasse que resultou da discussão que com ele tiveram, Shruikan e os restantes trataram de procurar alimento numa taberna próxima enquanto os membros da Ordem em falta não regressavam.

Após uma refeição regada com uma disputa entre Dominic e Tholok, Shruikan retirou-se para dar uma volta pelo quarteirão.

Rapidamente se apercebeu que os habitantes eram calmos e reservados, talvez até demais. Poucos eram os que pareciam trocar palavras entre si, e enquanto Shruikan tentava ouvir o pouco que tinham para dizer, deparou-se com um casal que comentava um recente desaparecimento.

Numa breve conversa, descobriu que não era um caso isolado e que uma ou duas pessoas tinham vindo a desaparecer em cada um dos últimos meses sem deixar qualquer rasto.

Shruikan tratou de comunicar a descoberta aos membros da Ordem, e enquanto se organizavam, os outros regressaram. Rapidamente disseram que um deles se tinha aventurado pelas traseiras do edifício e nunca mais voltou.

De mãos atadas face às implicações legais, Lia e Tholok debateram enquanto Shruikan alertava para os piores cenários possíveis. Lia acabou por enviar uma mensagem por meios arcanos a Ander, e ao fim de alguns minutos, recebeu a ordem para avançar.

Vendo-se nas traseiras da habitação, repararam na entrada que surgia após um lance de escadas que descia pelo relvado bem tratado e não vedado. Aperceberam-se que estava magicamente protegida, mas felizmente para eles, estavam prontos para isso.

Com a protecção removida graças a Lia e a porta destrancada graças a um convencido Dominic, o grupo entrou, vendo-se naquilo que era certamente a despensa de Amadeus, com toda uma série de consumíveis cuidadosamente guardados.

A exploração do espaço levou à descoberta acidental por parte de Dominic de uma parede invisível que levava a um corredor e posteriormente a uma outra sala onde apenas uma secretária e estantes com vários livros repousavam. Todos os manuscritos pareciam estar nalguma forma de código decifrável apenas com o uso de uma cifra específica.

Aperceberam-se que mais runas repousavam nas extremidades e assim que descartaram os seus encantamentos, a sala pareceu lavar-se, dando lugar a uma outra, com uma mesa ao centro, uma outra secretária mais velha e gasta no lugar da anterior e, para surpresa de todos, quatro figuras nas extremidades. Figuras de pessoas com marcas claras de que foram abertas e cosidas de volta.

Este novo espaço não tinha portas, mas sim uma nova parede invisível, atrás da qual estava o membro em falta, a pairar no ar inconsciente. Removendo o encantamento que o segurava, trataram de o acordar. Conseguiram fazê-lo sem problemas e ele contou-lhes então que vasculhava a cave até que foi abordado por uma figura de armadura e de cara tapada. De resto, de nada mais se lembrava.

Lia e Tholok trataram de o levar em ombros, e assim que todos se viram de novo naquela sala, a mesma voltou a lavar-se, voltando ao seu aspecto original. Contudo, as quatro figuras continuavam presentes. Começaram a ganhar vida, respirando com grande dificuldade e movendo-se lentamente em direcção ao grupo.

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Categories Tales of Dosluvi
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