Com o começo de um novo dia começava também uma nova etapa na viagem de Shruikan e Isovae. Chegados ao porto, o navio da capitã Elisa já se encontrava atracado e prestes a ser carregado de mercadorias. A bordo, trataram de guardar os seus pertences nos seus respectivos quartos e aguardaram que a âncora fosse levantada.

A viagem mostrou-se relativamente sossegada, perturbada somente pela forte ondulação, por pequenos chuviscos e a promessa de tempestade na forma de nuvens escuras e ribombares de trovão no horizonte. Shruikan teve tempo para conhecer melhor a sua nova companheira de viagem. As marcas que ela tinha queimado no corpo foram infligidas por ela própria, e tudo parecia apontar que a relação dela com Asmodeus era semelhante à de Shruikan. Apesar de tudo, mostrava-se mais que determinada em acabar com o reinado e a influência de Asmodeus assim que a oportunidade surgisse.

Durante a última parte da viagem, depararam-se com uma coluna de nevoeiro, que, segundo a capitã, não era algo propriamente estranho de presenciar. Com a visão perturbada e os sentidos mais que alertados, Shruikan tratou de se preparar para o pior. Tudo estava calmo e normal. A tripulação tratava dos seus afazeres, intensificando a frequência do diálogo uma vez que agora era a mais crucial forma de comunicação, mas algo parecia estar a mais. Uma figura envergando um manto simples de um castanho-escuro encontrava-se na berma do navio a contemplar o horizonte encoberto.

Shruikan pediu a Isovae para alertar a capitã e quando regressaram, a figura de Elizabeth voltou-se na sua direcção, com um semblante carregado e a desfazer-se em lágrimas, que rapidamente ficaram vermelhas e entraram em combustão, tal como ela própria. Com isto, gritos surgiram do convés, mostrando um marinheiro que prontamente alertou para a presença de algo estranho antes de desmaiar. Shruikan e Isovae avançaram para investigar.

Tudo parecia calmo e normal, à excepção de uma caixa na arrecadação cujo selo tinha sido quebrado. O corvo de Isovae rapidamente alertou para a presença de algo, e atendendo ao seu pedido, trespassou aquilo que se mostrou ser um diabrete que até então se mantivera invisível. Em conjunto trataram rapidamente dele, apercebendo-se de seguida da presença de outros dois, que não hesitaram em entregar cumprimentos de Asmodeus. Shruikan e Isovae debateram-se, saindo triunfantes apenas com alguns arranhões. Com o sucesso conseguido, reportaram o sucedido a Elisa.

Entretanto saíram do nevoeiro, sendo-lhes possível ver Sureixia. Chegados ao destino, trataram de arranjar uma montada, avançando de imediato para o templo da Rainha dos Corvos, na esperança de encontrar lá a resposta a todos os seus problemas.

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