A desolação de Sureixia mantinha-se constante, perturbada apenas pelos corvos que povoavam a sua paisagem e que reagiam alegremente à presença do corvo de Isovae. O interior do Forte de Kainus continuava sombrio e abandonado, tal como o templo no seu interior.

Sentaram-se diante do altar e debaixo do olhar da representação da Rainha dos Corvos na forma de vitral. Um retrato elegantemente sinistro. Shruikan fechou os olhos e lançou o seu apelo. Um calafrio não tardou a surgir, e quando abriu os olhos, ela lá estava diante dele, embora num simples vestido branco.

Ela inquiriu Shruikan sobre o que o trazia diante de si e disse-lhe que um tratado assinado, principalmente como o dele, era dificilmente irreversível, mas procuraria ajudá-lo como podia. Antes que tal acontecesse, perguntou-lhe quais é que seriam os seus objectivos, ao que ele respondeu que se seguiria ajudar a Ordem de Bahamut a acabar com a guilda de ladrões, e posteriormente procurar equilíbrio no mundo e não caos, estando sempre disponível para qualquer eventualidade que ela achasse necessária.

Com isto, tomou as suas mãos, e Shruikan sentiu uma onda fria a consumi-lo há medida que a sua visão ia perdendo nitidez. Deu por si num espaço escuro e gelado, que não ficou assim por muito tempo. Chamas apareceram e cercaram-no. Sentiu o seu coração a acelerar ao mesmo tempo que fumo saia do seu corpo. Esse fumo viria a assumir a sua forma, com as mãos negras e ensanguentadas, e um olhar feroz e ardente.

Os dois discutiram, com a figura a declarar que trair Asmodeus, aquele que esteve lá quando mais precisaram e que lhes tinha dado o poder que procuravam era um erro atroz. E quando parecia que a discussão escalaria num confronto, Shruikan mostrou compaixão, alegando que tudo não passou de uma maquinação de Asmodeus, e que não foi o mundo o culpado pela morte da Elizabeth, mas sim ele, e como tal, teria de pagar. A figura viu o seu ódio a ser substituído por tristeza perante o choque da realidade, e para além de pedir desculpa, pediu também a Shruikan para fazer o que ela não conseguiu e deixar a Elizabeth orgulhosa. Com isto, fragmentou-se e explodiu numa nuvem de fumo que levou ao cessar das chamas.

Shruikan viria a acordar ainda de mãos dadas com a Rainha dos Corvos e com um novo sentido de propósito. Reafirmando as suas crenças, Shruikan, agora com cabelo branco, e Isovae saíram do templo e procuraram regressar ao porto, embarcando debaixo do Sol que raiava e partindo com os olhos postos em Silverkeep.

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Categories Tales of Dosluvi
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