Shruikan acordou pronto para questionar os dois agentes da guilda capturados. Confirmando tudo com Ander, dirigiu-se às celas onde Tholok o aguardava, e com ele combinou o acto que ia levar a cabo.

No interior das celas, tratou de descrever a sua vida na terceira pessoa, realçando o quão fácil para ele era destruir qualquer vida da forma mais lenta e dolorosa, tanto em nome de Asmodeus como em nome da Rainha dos Corvos, embora que pela última estava mais tendente a alguma clemência.

Servindo-se das suas habilidades mágicas, não só para apagar a tímida candeia que iluminava as celas como para cegar temporariamente os seus habitantes, conseguiu instalar-lhes um sentimento de pânico capaz de os fazer cooperar.

Foi-lhe dito que o pior ainda estava para vir, uma vez que ele era um homem com a cabeça a prémio. De qualquer das formas, se ele quisesse saber o paradeiro da guilda, bastava-lhe ir ao mercado e perguntar se alguém tinha prendas para dar.

Satisfeito, removeu os encantamentos e prometeu voltar na eventualidade de estarem a mentir ou de precisar de mais informação. Partilhando as novidades com Tholok, o mesmo aproveitou para retribuir jocosamente com um soco, uma vez que faria parte do acto. Shruikan ainda o provocou, enervando-o, sendo apenas salvo pela presença súbita de Lia.

Com Tholok a retirar-se e depois de contar o que se passou a Lia, os dois foram falar com Ander. Este recebeu as notícias com desconfiança, e depois de se pedir a opinião de Dominic, a mesma apenas cresceu. Tanto podiam estar no caminho certo, como prestes a cair numa armadilha.

Optaram por ir ao mercado durante a noite, com um grupo pequeno e dissimulado, com Shruikan a avançar sozinho e disfarçado por meios arcanos. Ander ia pensar no assunto e ponderar quaisquer alianças que pudessem vir a ser invocadas, pedindo-lhes para regressar a ele durante a tarde.

Shruikan e Lia retiraram-se. No corredor trocaram uma série de palavras, onde Shruikan inquiriu Lia não só pelos valores que a Ordem defendia, e que eram a razão de ela ainda a seguir, e também a sua opinião sobre ele. Ela reconheceu que, apesar de tudo, ele tinha mudado, e tanto como ela sempre defendera, existem melhores maneira de atingir justiça e redenção do que através de execuções.

Terminadas as respostas directas e pessoais, para o alívio de Lia, os dois avançaram para o refeitório, onde Dominic agora trabalhava a mando de Ander e os recebeu com um ar desagradado.

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